mar 21 2026 Alerj recorre ao STF após decisão de Fux alterar regras da eleição indireta no Rio Autoria: Redação | Fotos: Divulgação Mudanças impostas pelo STF embaralham cenário político e mobilizam deputados estaduais A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu recorrer da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, que modificou pontos centrais da lei que regulamenta a eleição indireta para um eventual mandato-tampão no governo do estado. A medida foi tomada após o magistrado atender a um pedido do PSD, partido do prefeito Eduardo Paes, impondo novas regras ao processo. A decisão altera dispositivos considerados estratégicos pelos deputados estaduais e pelo governador Cláudio Castro, provocando intensa movimentação política e acelerando articulações diante do cenário de incerteza. Mudanças impostas pelo STF Fux suspendeu dois pontos principais da legislação aprovada pela Alerj: - o voto aberto na eleição indireta; - o prazo de 24 horas para que ocupantes de cargos no Executivo deixassem suas funções para disputar o pleito. Com isso, volta a valer o prazo nacional de seis meses de desincompatibilização, previsto na legislação eleitoral. Aliados do governador consideram essa mudança positiva, pois amplia a margem de manobra para possíveis candidaturas. O ministro também determinou que a votação seja secreta, justificando a medida pelo contexto de violência política e pela atuação de organizações criminosas no estado. Reações políticas A decisão gerou forte reação entre aliados de Castro. Em nota, o PL criticou a mudança, defendendo que o voto aberto garantiria maior transparência e respeito aos princípios republicanos. O partido argumentou que parlamentares atuam como agentes públicos e devem ter seus votos submetidos ao escrutínio da sociedade. A possibilidade de voto secreto, porém, acendeu alertas na base governista, que teme traições e avalia que o novo modelo pode favorecer candidaturas alinhadas a Eduardo Paes. Ainda assim, parte dos aliados minimiza o risco. Impactos no cenário eleitoral A decisão de Fux altera profundamente o tabuleiro político. Caso Cláudio Castro renuncie até abril, caberá aos 70 deputados estaduais escolher o novo governador para concluir o mandato até 2026. Com a exigência de desincompatibilização, nomes antes cotados perdem força. A chapa do PL — Douglas Ruas (Cidades) e Nicola Miccione (Casa Civil) — fica comprometida, já que ambos ocupam cargos no Executivo. Na esquerda, André Ceciliano também enfrenta impedimentos por integrar o governo federal. Diante disso, ganham força nomes dentro da própria Alerj, que não precisam se afastar dos cargos para disputar: Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Casa; Rosenverg Reis (MDB) e André Corrêa (PP), que pode migrar para o PSD. Na oposição, o Psol lançou Renata Souza. Eduardo Paes também articula alternativas, entre elas o deputado Chico Machado (Solidariedade), aliado de Rodrigo Bacellar. Julgamento no TSE e possíveis desdobramentos Nos bastidores, cresce a expectativa de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) casse o mandato de Cláudio Castro no julgamento marcado para o dia 24, no caso Ceperj. A decisão pode atingir também Rodrigo Bacellar, afastado da presidência da Alerj. Se houver cassação, a Assembleia terá de convocar novas eleições para a Mesa Diretora em até cinco sessões. Há ainda a possibilidade de Bacellar renunciar para evitar a perda do mandato. Nesse cenário, a estratégia do grupo governista é eleger Douglas Ruas para a presidência da Alerj, reorganizando a linha sucessória — hoje fragilizada pela ausência de vice-governador após a saída de Thiago Pampolha para o TCE. Com eventual vacância dupla, o comando do Executivo passaria temporariamente ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto. Se Ruas assumir a Alerj, ele se tornaria o primeiro na linha sucessória e poderia ocupar o governo até a eleição indireta. Nesse arranjo, ficaria impedido de disputar o pleito, abrindo espaço para que Nicola Miccione voltasse a ser cotado para o Palácio Guanabara.